Depois de ter recuperado sua fama com as superproduções de “Homem de Ferro”, Robert Downey, Jr. finalmente recuperou o estilo no cinema que já o levou a caminho do Oscar. E com o filme “The Judge”, que inaugurou o Festival Internacional de Cinema em Toronto.

 

Entrevistador: Seu personagem no filme “The Judge” é muito bom para julgar as pessoas apenas por velas a primeira vista. O que você acha que ele diria sobre Robert Downey, Jr.?

Robert: Provavelmente diria que adoraria “defender” uma pessoa como eu (risos). Poderia muito bem abrir um ramo inteiro de firmas com advogados de defesa.

 

Entrevistador: Em termos de milhões de dólares em receitas, sabemos que Hollywood é um mundo onde são mais importantes os super heróis como Homem de Ferro, mas, onde você acha que são geradas as verdadeiras influencias em um mundo no cinema onde as histórias humanas estão acima das arrecadações?

Robert: Robert Duvall foi ao Instituto Strasberg  e com (minha esposa) Susan, assistimos todo tipo de grandes super produções, mas também em casa vimos fotos dela na USC, University of Southern California, filmando cenas noturnas apenas por filmar, para algo que ninguém iria ver. E todos nós viemos de diferentes lugares que não têm necessariamente a ver com o estilo de cinema a que estamos associados. Isso não é querer fazer um filme com “The Judge”. De certa forma estou no mesmo estilo de cinema, onde sempre havia estado.

 

Entrevistador: Atuar sempre foi seu único trabalho?

Robert: Não, também trabalhei em uma loja de sapatos… Até que me demitiram. Passei a trabalhar em um famoso clube noturno na década de 80 e recebia 10 dólares por hora, além de poder tomar todos os shots de conhaque que eu queria. A atuação foi à melhor saída para deixar de trabalhar como garçom.

 

Entrevistador: Sua esposa Susan também é produtora do filme “The Judge”, como é a relação de um casal no meio da gravação de um filme?

Robert: Boa. Também se parece muito com um ménage à trois quando se adiciona um diretor (risos). É a forma mais platônica de ser visto até agora (volta a rir). Há toda essa esperança em um trabalho feito como o nosso, onde uma vez foram outros diretores como Guy Ritchie e Shane Black. E dessa vez confiamos em David Dobkin porque ele entendeu muito bem a idéia e literalmente se tornou uma relação de três cabeças, onde dois deles podem fazer amor sempre que der vontade. O bom dos produtores é que eles são loucos como muitas atrizes.

 

Entrevistador: Sério?

Robert: Também sou ator e sei que nossa profissão é muito estranha, é tudo muito neurótico. E eu sinto muito, mas as mulheres são mais neuróticas que os homens. Garanto que ela é. Mas na produção é diferente, você não pode se preocupar com coisas bobas como “o que me disseram?” ou “tenho que arrumar meu penteado e maquiagem”.

 

Entrevistador: E além das loucuras de ator, há que ponto influenciou seu trabalho com um pai como o seu? Que alias também se chama Robert Downey.

Robert: Toda vez que via meu pai, se entrava em um restaurante e estava prestes a sair, passava por sua mesa e o olhava com medo, me perguntando se tinha que chegar perto, mas sempre estava com medo que eu fosse embora sem dizer adeus, para ser gentil, porque todos queriam cumprimentá-lo. Digamos que nosso relacionamento… Não quer dizer que éramos estranhos, mas é o suficiente para dizer que economizei muito dinheiro em terapia com meu próprio pai.

 

Entrevistador: E no seu caso? Você se considera um bom pai?

Robert: Teria que perguntar ao meu filho, especialmente o mais velho. Viajamos bastante. Lembro-me de quando fomos para a Itália e dissemos que a comida italiana era muito melhor que a de Los Angeles. Em outra viagem a Montreal,  por exemplo, estávamos no aeroporto fingindo que falávamos em francês, somente com o acento mas com palavras inventadas. E uma pessoa me reconheceu e veio dizer “senhor Downey, por favor, pare de tentar falar francês”. Nós temos uma vida muito boa. E eu que pago tudo (risos)

 

Entrevistador: E seu filho mais novo, com uma mãe produtora de cinema… Você o imagina trabalhando na indústria cinematográfica?

Robert: Recentemente conversei sobre isso com sua mãe e ela ameaçou me castrar se eu sugerisse novamente.

 

Entrevistador:No seu caso, você aprendeu algo fazendo o papel do filho em “The Judge”

Robert: Na verdade fiquei surpreso ao saber que após a estréia do filme, as pessoas se lembraram do relacionamento com uma irmã ou irmão mais velho, ou com um antigo relacionamento, mas a história é sobre um pai e filho. Ele vai muito além de uma relação familiar, fala sobre um relacionamento humano ao mostrar situações complicadas para qualquer um.

 

Entrevistador: Há algo diferente nessas filmagens comparando com “Homem de Ferro”?

Robert: Todos os atores colocaram a sua pele no filme. O diretor, David Dobkin até sugeriu um processo de ensaio que não tinha nada a ver com o que estava acostumado a fazer desde que fui para a escola de teatro. Lembro que apenas de um ou dois filmes onde ensaiávamos como se fosse uma pré-produção. E com Robert Duvall nos demos conta que esse era o sistema que ele costumava trabalhar antes.

 

Entrevistador: Houve alguma improvisação ou tudo estava escrito no script?

Robert: Eu diria que tudo de bom no filme foi idéia minha, mas não foi. Ás vezes, quando sai muito fora do script, você também pode ter problemas, porém ainda me lembro dos sentimentos que Robert Duvall demonstrou em nosso primeiro encontro nos estúdios. É uma verdadeira coincidência como em “The Thorn Birds” onde todos querem Atticus Finch apareça como uma prostituta morta. E acreditem em mim, não queríamos parabenizar ninguém.  E o estranho é que o que eu sentia nessa viagem louca que fizemos é que estava gravando o filme “The Judge”… desde sempre.

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