Downey Jr. e Duvall conversaram com o o Sydney Morning Herald em época de Festival de Toronto e deram alguns detalhes sobre como se conheceram, além de mostrarem o quão são competitivos. Confira:

Robert Downey Jr. adora fazer piadas e brincar nas entrevistas como se ele não levasse nada disso a serio, mas nesse dia, no Festival de Cinema de Toronto, ele está com o único homem que não vai deixá-lo sair ganhando – Robert Duvall, seu companheiro em O Juiz.

“Estávamos andando no corredor hoje cedo,” Downey diz. “e ele me disse que ia fazer uma entrevista especial pro Mavericks, que era um grande negócio e eu brinquei, ‘Eles não me chamaram para fazer então não acho que eles queiram um ícone’. Então ele parou, olhou pra mim e disse, ‘Pare com essa porcaria de ‘ícone’. Eu só falei, ‘Ok, eu vou parar com a porcaria do ícone'” por que, definitivamente, você não quer estar em sua lista negra.

Assistir O Juiz, o primeiro filme da produtora Team Downey, é como assistir uma partida entre dois tenistas no auge de seus jogos. Downey interpreta Hank Palmer, um advogado egocêntrico da cidade grande que volta para sua cidade natal, onde sue pai (Duvall), o juiz da cidade, é acusado de assassinato. O juiz é duro com seu filho pródigo, mas também comovente em uma cena quando ele é obrigado a permitir que seu filho o ajude no banheiro depois que um problema de saúde o deixa incapacitado.

“Os melhores momentos para mim foram quando eu estava em suas boas graças,” disse Downey, 49. “Muito mais do que meu próprio pai ou qualquer outro juiz do qual eu já encarei” – e vários entraram no caminho de Downey ao longo dos anos – “você tem aquela profunda e contínua relação de respeito por ele que faz você não querer pisar em falso.”

Semanas depois, os atores estão sentados lado a lado para uma conversa em um hotel à beira-mar em Los Angeles. Duvall está sentado perfeitamente, enquanto Robert simplesmente lança suas pernas por cima dos braços de sua poltrona, agitando os tênis de cano alto e suas meias coloridas quase como uma criança petulante. Perto dali, a mulher visivelmente grávida de Robert Downey Jr. dá outra entrevista.

“Ela nunca deixa de me surpreender, a quantidade de paciência que ela tem em relação às pessoas complicadas..”, diz ele, supostamente aludindo em parte a si mesmo. “Ela é do Centro-Oeste [EUA] , e assim, sem generalizar demais, eu acho que isso se liga a algo que acontece com as pessoas que são naturalmente criadas em um ambiente onde ter uma psicologia moral é importante, e eu fico realmente feliz que isso tenha passado para mim.”

O casal tem um filho de 2 anos, Exton, e descobriram que em novembro terão uma garotinha! “Se ela for qualquer coisa como a mãe dela, uau!”

[…] Depois de ficar sóbrio, em 2003, Robert compensou o tempo perdido com duas franquias de sucesso – Homem de Ferro e Sherlock Holmes – totalizando três filmes, que o deixaram com o patamar de ator mais bem pago hoje.

“Eu acho que Harrison Ford disse que dinheiro é importante até que você o tenha, e minha opinião é que você não deveria se agarrar a essas coisas,” diz ele, menosprezando seu sucesso. “Hoje eu vou de um hotel 5 estrelas para outro sendo que 15 ou 20 anos atrás eu nem sabia que hotéis tinham suítes, eu achei que todos eles tinham o tamanho de uma mesa e tinham vista para o beco ou para a saída de emergência.”

Downey pode até ser o chefe de seu novo filme, mas ele sabe que a maior estrela é Robert Duvall, ator que rouba a cena em todos os filmes que faz, desde O Poderoso Chefão e Apocalypse Now até seu premiado papel pelo Oscar em A Força do Carinho e O Apóstolo, do qual dirigiu, produziu e também escreveu. Downey apenas ouve Duvall quando o mesmo relembra uma história de quando não reconheceu o ator mais novo quando ele foi lhe dizer um ‘oi’ em um restaurante.

“Depois de ele ter deixado a mesa, minha mulher disse ‘Você não sabe quem era aquele? Era Robert Downey!’ Duvall conta um pouco orgulhoso demais. “E eu fiquei ‘Ah, meu Deus, me desculpe!’ Então depois eu o mandei uma mensagem quando o vi em algo que gostei bastante.”

Downey assente, olha Duvall e diz. “Não sei se já te disse isso” e revela que a dupla esteve junta em Até Que a Morte Nos Separe. “Você estava interpretando um personagem que era todo banana e eu sentava do seu lado na sala de maquiagem e você estava se preparando para entrar nesse personagem que era meio selvagem e vivia nas florestas e eu tinha medo que você fosse realmente como ele, mas acabou que você só estava entrando no personagem,” ele diz.

“Sim.” Duvall assente bruscamente e adiciona depois de uma pausa. “Mas nós nunca nos conhecemos realmente, certo?”

Se Duvall se importa tanto sobre o zumbido da temporada de premiação ao redor de O Juiz como Downey – que precisa desse tapinha nas costas para voltar a provar que é mais do que um super-herói de histórias em quadrinhos – ele não está dizendo.

“Sempre existem aquelas pessoas em nosso redor que botam defeito em alguma coisa.” diz Duvall. “Quando fizemos O Poderoso Chefão, tivemos uma festa de abertura e eu jamais vou me esquecer desse diretor bem conhecido que estava fumando um cigarro – e eu não vou citar nomes – mas ele disse para mim ‘Você, Marlon [Brando], Jimmy [Caan] e Al [Pacino] fizeram um ótimo trabalho, mas em relação ao filme, eu não sei’. E, em três vidas, ele nunca fez um filme tão bom quanto esse.”

O Juiz é uma montanha-russa de emoções, que explora a relação disfuncional entre pai e filho, e ambos os atores admitem que tiveram suas próprias lutas paternais.

“Meu pai era militar então sempre houve uma distância,” diz Duvall. “Mas eu me lembro de uma vez quando éramos realmente próximos e estávamos caçando esquilos e aves, então minha mãe os cozinhava e nós comeríamos juntos. Foi uma tarde agradável com meu pai atirando espingardas.”

“Meu pai era um artista brilhante então as pessoas estavam sempre me dizendo ‘Oh, seu pai é incrível!'” Downey lembra de seu pai, o cineasta Robert Downey Sr. “Quando eu comecei a perceber que eu queria fazer isso [atuar] como meu ganha-pão, eu senti como se meu pai fosse ‘o juiz’, porque ele comandava tudo, ele está na bancada e todos nós éramos apenas suspeitos. Eu tenho um ótimo relacionamento com ele agora mas qualquer pai de personalidade forte impõe barreiras, afinal você está protestando contra o que você não quer ser mas acaba sendo isso de qualquer maneira, porque você não conseguiu resolver todas as suas coisas.”

Duvall acena em aprovação a confissão e Downey sorri

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Os dois Roberts estão além da porta de vidro. A tensão é elevada. O primeiro, que já é um osso duro de roer, em poucos minutos irá definir o segundo como “uma montanha para escalar.” Eles são pai e filho na ficção de O Juiz, o filme de David Dobkin, que vai abrir o festival no dia 4 de setembro, em Toronto, e que Io Donna viu na pré-visualização.

Nós vamos nos encontrar com Robert Downey Jr. – anexo revelador ao nome – e Robert Duvall, Bob (à moda dos diminutivos durou até a geração de De Niro, tente hoje chamar de “Bob” Robert Pattinson …). O Juiz, filme fortemente apoiado e estrelado por Downey, que também é o produtor com sua esposa Susan (sua empresa é chamada Team Downey) conta a história de uma volta às origens. Downey, um cínico advogado, cortou os laços com Carlinville, Indiana, uma pequena cidade fictícia “onde ninguém gostaria de voltar e de onde ninguém iria querer sair”, e com sua família. O pai de todos. Julgue antiquado, vagamente autoritário, respeitado e temido por todo o conselho. A morte de sua mãe obriga os dois a renovarem os laços, em meio a muita revolta, amenidades e várias boas piadas em família. “Onde você estava quando distribui os testículos?” Irmãos apostrofando Downey, que, ao contrário dele, estão fascinados pelo carisma paternal.

Robert Downey Jr. está tranquilamente inclinado sobre uma espreguiçadeira no Hotel Casa Del Mar, de frente para a praia de Santa Monica e não se desprende de sua bolsa, que é quase uma mala de viagem. “É uma necessaire, desenvolvida pela Porsche, tenho um CD no caso de você querer ouvir alguma música, dinheiro – melhor não deixá-lo na sala – e um sapato em caso de emergência.” Muito jovem na escolha do calçado, Robert Downey está elegantemente minimalista e, até o tornozelo, monocromático. Calças azuis bem passadas e gola de lã, vestindo um tênis com a sola brilhante. Depois da troca, outra exclusividade, outros LEDs piscando, mesmo modelo. Bob Duvall é um modelo de sobriedade. Seu pai era um militar. E de seu legado, que conhece bem (ganhou um Oscar em 1973 por O Poderoso Chefão), não há como escapar. “Meu pai estava freqüentemente no mar. Durante a guerra, nós não o vimos quase nunca“, diz ele. “Minha mãe comandava a casa. Quando ele voltou, em teoria, deveria ter sido feita a troca, mas, na verdade, o chefe da família sempre foi ela.”

Sr. Downey, a respeito de Guy Ritchie, que lhe dirigiu duas vezes em Sherlock Holmes, ele descreveu você e sua esposa como a “melhor ilustração de um casamento simbiótico”. Yin e Yang. Robert seria uma cruz caso não tivesse Susan para mantê-lo em terra.

Robert: Bom, eu estou feliz que o Guy finalmente reconheceu que eles não são uma cruz.

Duvall: É uma delícia, mas aí vem a cruz.

Robert: Susan vem sendo o motor desse filme. Ela convenceu aqueles que teriam que proporcionar os cheques e acima de tudo, me convenceu. “Outro advogado?” ele resistiu. “Eu vivi um advogado em Ally McBeal”. Por trás de todo grande homem existe uma grande mulher que faz todo o serviço.

Duvall: E você, na maioria das vezes, nunca leva o crédito.

Sr. Duvall, na idade que Robert tem hoje, você estava nas florestas filipinas filmando Apocalypse Now.

Robert: “Eu amo o cheiro de Napalm pela manhã” – Você tem algum conselho para que Robert tenha uma carreira tão longa quanto essa?

Duvall: Não há nenhum conselho a ser dado. Essa geração tem muito mais a nos ensinar do que o oposto. Você já viu Matthew McConaughey? Se Marlon Brando ainda estivesse vivo seria um único tiro.

Sr. Downey, em meio aos seus outros projetos está Pinocchio, do qual você interpretaria Geppetto. Você não se cansa de investigar a relação pai e filho?

Robert: Meu pai é um artista brilhante (autor de filmes da vanguarda, muito relacionados à cultura dos anos 70), é o tipo de cara que entra numa sala e a preenche. Ele parece o juiz de nosso filme. Ele senta na bancada e todos os outros são réus. (ri) É o tipo de cara que faz você rir assim que ele abre a boca e quando você é uma criança você pensa ‘o que eu posso dizer que seja tão engraçado quanto?’. Agora, eu e ele temos um ótimo relacionamento, mas houve um tempo em que meu pai, como todos os outros, pôs uma sombra em torno de mim. Na vida, todos nós temos coisas para pôr em seus devidos lugares.

Falando em juízes, você acha que o passado lhe ajudou em relação a esse filme? (entre 1990 e 2001 ele se envolveu em várias confusões judiciais)

Robert: Se você nunca fez nada de errado, então os juízes são maravilhosos.

Duvall: Nesse filme eu quis me inspirar naqueles juízes do sul que mascam chicletes de tabaco, mas para isso seriam necessárias ofertas ao mercado americano.

Mas e quanto àqueles que o inspiraram?

Duvall: Eu li o roteiro do filme junto ao meu amigo, o juiz William Webster, que era chefe do FBI e da CIA.

Você ainda mantém contato com seus velhos amigos, mesmo os que não estão ligados a CIA?

Duvall: Alguém… Jimmy Caan (James Caan, com quem trabalhou em O Poderoso Chefão): que homem divertido, sempre contando piadas irresistíveis. Brando sempre demorava um pouco pra entender as piadas, ria uns 3 segundos depois. Gostaria de poder reunir Gene Hackman, Dustin Hoffman e ele e que pudéssemos nos ver duas ou três vezes por semana. O mandei uma mensagem enquanto estava no Novo México, mas não obtive resposta. Ele é muito reservado e então ele ficou doente. Mas eu também não gosto de freqüentar a casa de outros atores, com exceção de Jimmy Caan e Bill Murray, que me divertem muito.

Sr. Downey, Billy Bob Thornton, que interpreta o promotor do caso, disse no set de filmagens que vocês têm longas conversas sobre suas inseguranças. Afirma que por ter crescido no coração do sistema, fez da fragilidade sua força, caso contrário teria sido esmagado.

Robert: Não tem por que lamentar o passado, mas também não podemos fechar a porta da esperança e deixá-lo de fora. Para aqueles que me perguntam hoje como eram os tempos difíceis, como o divórcio e encontros com cineastas ruins, eu digo que eu estou aqui e agora, aquelas experiências me fizeram ser quem sou hoje. Não rejeito meu passado porque ele está dentro de mim, mas por outro lado, temos que seguir em frente. Claro, depois de algum tempo possam se desenvolver cupins dentro de você que comem a matéria-prima da qual você vem construindo a sua vida por completo, mas você aprende a desenvolver um antídoto.

Qual é o seu?

Robert: A relação com as pessoas que amo. Susan e eu – e eu acho que Bob sente o mesmo em relação à Luciana (esposa de Robert Duvall desde 2004), nós somos muito importantes um ao outro.

Duvall: Eu posso ser inseguro e vulnerável se pagarem. Mas se bastasse você saber chorar para ser um bom ator, minha tia seria Eleonora Duse.

 

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