Robert deu entrevista à equipe da Empire para sua edição de outubro. Simon Braund foi ao set de O Juiz e conversou com os protagonistas do filme.

“Se, como a maioria das pessoas, você veio para apreciar a fama de espertalhão de Robert Downey Jr. na telona, seu mais novo filme, O Juiz, servirá como um choque. Começa em um terreno bem familiar, com o personagem de Robert, Hank Palmer, um advogado da cidade de Chicago, engajados em uma competição literal e figurativa com seu oponente, eviscerando ele verbalmente, seguindo sua marca registrada. É uma cena, como muitas em Sherlock Holmes e Homem de Ferro, que deixa exposta a incomparável habilidade do ator de transformar uma diplomacia ofensiva em divertida e cativante. No entanto, quando, momentos depois, Hank é chamado de volta para uma Indiana rural, para presenciar o velório de sua mãe, as coisas entram em um território muito mais obscuro.

No papel, o drama da família de David Dobkin tem um anel familiar de Richard Russo – um filho errante retorna às suas raízes para lutar com um armário de carga cheio de esqueletos familiares e cruzar espadas com seu pai distante, um homem cujo profundamente enraizado com complexo de Deus, alimentado por décadas no banco do tribunal local, está sob o cerco de câncer. Adiciona-se o fato de que Hank tem que defender o velho contra uma acusação de assassinato e você seria perdoado por esperar algo mais espuma de sabão do que um lamaçal nas águas turvas das relações humanas.

Na verdade, graças ao diálogo afiado dos escritores Nick Schenk e Bill Dubuque e performances poderosas de todo o elenco (que também inclui Vera Farmiga, Billy Bob Thornton, Vincent D’Onofrio, Dax Shepard e Jeremy Strong), transcendem qualquer acusação de clichê. O evento principal, como seria de esperar, é o confronto entre Downey Jr. e Duvall, cuja cenas muitas vezes têm uma intensidade emocional que é difícil de assistir.

“(O filme) não é muito sobre salvação,” disse Downey Jr., conversando com a Empire no Hotel Casa del Mar, em Santa Monica. “É mais sobre confrontar coisas de um modo em que você realmente aprende com elas. Eu não conheço ninguém que não chegou a entrar em uma situação pelo menos parecida com essa. A primeira vez que ele vê seu pai no velório de sua mãe, há um contato mas não há comunicação. Sentimos que aquilo era importante, assim a audiência saberia aonde esses caras estão. A falta de comunicação é ainda maior do que a morte de sua mulher.”

Pessoalmente, há mais do que um toque de Tony Stark sobre Downey Jr., e não no sentido egoísta sarcástico – ele nenhum dos dois – mas em sua mente da velocidade da luz, senso de humor e charme sem esforço. Sentado ao lado dele, Duvall parece um pouco menos descontraído, um corpo fortemente fechado, mais quente, protegendo-se contra o outro, torna suas angustiantes batalhas na tela ainda mais surpreendentes. “Foi apenas um roteiro muito bem escrito”, diz Duvall. “Eu gosto de improvisar, mas quando você tem um roteiro tão bom como este, você não precisa. Você traz o que ele significa para você. Você vai a quaisquer profundidades que ele te leva e seu parceiro faz o mesmo.”
“Gostaria de vê-lo quando estávamos fazendo uma cena muito difícil”, diz Downey Jr., acenando para Duvall,” e parecia que quanto maior o desafio era, menos ele queria falar sobre isso. Você precisa desse imediatismo; você não quer ficar ensaiando e torná-lo obsoleto.”

Estamos acostumados a ver Duvall chegar em quaisquer profundezas que for preciso para encontrar um personagem, mas, tanto quanto nós amamos Downey Jr. no modo de super-herói, é um raro prazer vê-lo afundar seus dentes no tipo de papel dramático que dá ao seu grande talento rédea solta. “Eu não era o Homem de Ferro antes de Homem de Ferro sair,” diz ele sobre o seu papel mais famoso. “E a minha intenção é ainda estar por aí muito tempo depois que a franquia se for, para ainda ter o desejo de contar histórias e de atuar que a eu vejo em Bobby (Duvall). Toda vez que você assume um papel é uma oportunidade para re-estabelecer-se.”

Se alguém sabe qualquer coisa sobre re-estabelecer-se, esse alguém é Downey Jr.. Não muito tempo atrás, sua carreira parecia estar morta e enterrada e sua vida pessoa estava em frangalhos. Um longo batalhando contra as drogas o levaram a confusões com prisões, tentativas falhas de reabilitação, e, eventualmente, períodos na cadeia. Desde então, ele conseguiu talvez o renascimento pessoa e profissional mais espetacular na história do showbusiness. É uma reviravolta que ele atribui quase que totalmente a sua esposa, produtora Susan Downey, que ele conheceu no set de Gothika (2003) e se casou em 2005. “O velho provérbio é verdadeiro,” diz ele. “Por trás de todo grande homem, existe uma incrível mulher. Eu devo uma grande parte – se não todo – do meu sucesso à Susan.”

“Wow,” Susan Downey ri, “posso ter isso como meu toque de celular? Olha só, ele chegou lá por si próprio. Quando eu o conheci, eu não tinha intenção nenhuma em me apaixonar por ele. Ele era um ator e eu tinha um trabalho de verdade. Mas havia uma conexão. Eu sempre fui muito focada e orientada em como eu vivia minha vida. E eu fui bem clara com ele de que eu não estava afim de uma roda gigante de drama e ridiculosidade. Então se ele quisesse entrar nessa jornada, ele teria que limpar seus atos. Foi uma escolha dele. Não havia nada que eu poderia fazer.”

Em 2010, o casal – descrito pelo diretor de Sherlock Holmes como “a maior ilustração de um matrimônio simbiótico que eu já vi” – formou sua própria empresa de produção, Team Downey, que rapidamente achou um abrigo na Warner Bros.. “Eles são como Lennon e McCartney,” diz David Dobkin sobre sua colaboração. “Não há dúvidas de que Susan é a cabeça do negócio, mas a bola está passando entre eles o tempo todo. Eles são como um organismo de fluxo livre.”

O Juiz é o primeiro fruto deste organismo e deixa uma declaração forte sobre os tipos de filmes que a Team Downey pretende fazer, e também os tipos de filmes que Downey Jr. está ansioso em fazer. No primeiro ponto não há argumento. “Eu entrei nisso porque eu queria fazer Broadcast News,” diz Susan Downey, que era a Vice-presidente Executiva de Produção na Joel Silver Pictures antes de fundar a Team Downey. “Eu queria fazer Kramer Vs. Kramer, The Verdict, filmes que eu cresci amando. E sim, O Juiz é definido como esse tipo de filme. É um drama adulto, que é o que nos propusemos a fazer.”

“Quando o roteiro de O Juiz nos foi dado a gente ficou tipo, ‘Obviamente vamos fazer isso!'” disse Downey Jr.. “O que eu adorei sobre a história é definitivamente não tem um final feliz – mas também não é um final triste. É mais como vida real, onde as coisas estão mal resolvidas mas ainda há esperança. O Juiz chega e Hank Palmer também. Não é perfeito, não é uma grande resolução, mas há uma resolução. Eu pensei, ‘Uau, talvez pudéssemos usar minha influência para conseguir um estúdio para fazer um filme que estúdios não fazem mais.'”

Quanto ao segundo ponto, embora O Juiz e a declaração de que a Team Downey pretende fazer filmes mais dramáticos, há alguns equívocos.

“Pessoalmente,” diz Susan Downey. “Gosto muito de vê-lo em papéis ‘reais’, é corajoso da parte dele, porque ele não pode confiar em qualquer sino que ouve, como pode em Homem de Ferro ou Sherlock, mas não somos específicos com o drama e o aspecto comercial também é importante. Mas o mais importante é contar grandes histórias por meio de personagens. Isso significa uma grande variedade de coisas que Robert vai estrelar, talvez assumir um papel menor, talvez produzir, talvez até mesmo dirigir.”

“Estamos desenvolvendo uma história de Perry Mason e trabalhando em outra história de Sherlock,” disse Downey Jr.. “Estamos trabalhando em vários filmes diferentes. Sempre é sobre a qualidade. E nós temos Robert Duvall estrelando nosso primeiro filme, e isso é um bom presságio. É bem legal, também!” SIMON BRAUND

 

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