Confira agora a segunda parte da entrevista do Robert para a GQ Style!

GQ Style: Você tem uma performance favorita de alguma atriz?

Robert: Quando a Noomi Rapace fez ‘Os Homens que não Amavam as Mulheres’ (The Girl with the Dragon Tattoo) – eu gosto de performances como essa, sem re-inventar coisas, elas [mulheres] criam um outro tipo de aspecto para os filmes. Eu poderia me referir ao trabalho da minha mãe nesses tipos de trabalhos experimentais que ela fazia com meu pai. Praticamente nada do que Shirley MacLaine teria feito. Ela é a pessoa cujo o dom, tem diminuído ao longo das gerações.

GQ Style: E sobre os atores?

Robert: Hm…Rami Malek. Ele é o cara agora. Todos deveriam estudar mais sobre esse cara.

GQ Style: A coisa mais divertida que você vivenciou em um ‘Set de Gravações’

Robert: Trovão Tropical. O primeiro Homem de Ferro foi ótimo. O terceiro Homem de Ferro foi ótimo. Por uma infinidade de coisas…Capitão América: Guerra Civil, foi uma ‘explosão’. Parte do que faz um excelente filme, é como opressivos são os elementos quando você está fazendo. Por exemplo, aposto que se você perguntar para o Leonardo Dicaprio daqui 50 anos, qual foi a sua melhor experiência em um filme, ele vai dizer que foi em ‘O Regresso’ (Revenant), por que ele deu tudo de si, foi atacado por um urso e sobreviveu. E em Guerra Civil nós acontecemos, fizemos as nossas vontades, falando sobre uma das maiores guerras da história Norte Americana, todos uniformizados e dizendo: “Isso foi uma loucura”, e tem um pouco de graça nisso. Era como: “Tudo bem Robert, agora, o Máquina de Combate está em perigo” e eu dizia “Ele está em perigo?”

GQ Style: E qual foi a menos divertida?

Robert: Bom, quer dizer, eu não sabia disso na época, mas em ‘Um Romance Maluco’ (Baby It’s You), meu primeiro filme de estúdio, eu achava que estava arrebentando, e toda a minha cena foi cortada. Os meus amigos me chamaram de lado e apontaram para o telão e disseram “Hey, talvez aquele seja você”. E eu apareci sentado numa mesa de costas.

GQ Style: Você mencionou várias vezes sobre Guerra Civil. A sua relação com o personagem, Tony Stark / Homem de Ferro, mudou ao longo dos filmes? A era do “Eu não trabalho bem com os outros” já passou né?

Robert: Eu acho que sim. Se você perguntar qual é a minha relação com o personagem agora, eu diria que é nostálgica! [Risos]

GQ Style: O que você avalia antes de fazer algo novo depois de tantos anos na Marvel?

Robert: Honestamente, como alguém que ama os filmes: [tradução literal] “Eu posso ser incomodado para assistir esse filme se esse cara é quem faz?” [Quis dizer que as pessoas só assistem os filmes se tem alguém que interessa]. Eu não estou dizendo que eu só quero fazer filmes tradicionais e populares. Mas a vida é curta, e ultimamente estou a serviço da ‘indústria’. Por mais que eu exista para fazer qualquer outra coisa, eu existo para criar widgets de entretenimento para outras pessoas poderem consumir. E algumas pessoas , isso é uma grande afronta às suas sensibilidades , e eu, dizemos “tudo bem”. Fim do dia , você está em uma indústria de serviços , como Kirkland. [Kirkland é uma cidade localizada no estado norte-americano de Washington, no Condado de King] É simples assim.

GQ Style: “O ator mas bem pago do mundo” e “um dos maiores atores de sua geração”. Você já foi chamado assim várias vezes. Se você escolhesse um, qual deles seria?

Robert: Nenhum. Por que os dois são tão…Quer dizer, sério? Primeiramente, você poderia imaginar nas eras douradas, época do meu pai, Pacino e De Niro, você acha que os dois iriam se permitir uma discussão tão insignificante, reduzindo-os a uma figura monetária? Eu tive, e ainda tenho, uma das piores sortes do que qualquer um no mundo público.

GQ Style: Então por que a resposta não foi simplesmente “um dos maiores atores de sua geração”?

Robert: Bem, se eu sou um dos, então, quem são os outros?

GQ Style: Então eu posso dizer …”O Melhor”?

Robert: A implicação de que estamos em competição uns com os outros, ou quais são os números na segunda-feira, quero dizer, tudo isso é em grande parte uma bobagem.

GQ Style: Vou mudar um pouco o rumo da conversa. Você tem lidado financeiramente com a ‘indústria’, melhor do que muitas pessoas lidaram. Parece que você andou pensando mais sobre isso. 

Robert: Certo, aqui está o que vou dizer. Quando você está na mídia, por anos, por décadas, só um tolo te ajudaria com uma “mão vencedora” [referência ao Pôquer]. E tirando todas deficiências genéticas devastadoras, eu não sou tolo.

GQ Style: Para que serve o dinheiro? 

Robert: É bom para as emergências de outras pessoas.

GQ Style: Você pensa sobre o equilíbrio entra e vida e o trabalho?

Robert: Neste momento, está sendo embaraçosamente administrada. Eu também sou uma pessoa que responde por um roteiro/acordo/script. Por exemplo, se você me der três páginas com mapas, cenas e números, abençoe seu coração, por que eu vou dizer: “Ah ótimo! Agora sei o que fazer. Eu vou acordar as 04:47 da manhã e vou correr, ou treinar. Quer saber? Eu deveria começar me aquecendo…” Automaticamente, todas as minhas energias ficam como: Eu sei como fazer isso. Eu faço isso a 30 anos.

GQ Style: Você acabou de completar 51 anos. Isso significa alguma coisa pra você?

Robert: Sim. Se eu quiser me livrar do OCD (Transtorno obsessivo-compulsivo: Excesso de pensamentos (obsessões) que leva a comportamentos repetitivos (compulsões). Eu estou quase no meu 52º ano. Já passei por tudo, isso pode uma carta coringa pra mim. Eu posso brincar esse ano [Risos]. Eu também descartei completamente a ideia de me dar uma festa, que não é uma função de me transformar num ser mais humilde, psicologicamente mais forte e moral. É simplesmente uma função da idade.

GQ Style: Você coleciona alguma coisa?

Robert: Eu gosto de cristais e pedras. Eu gosto de carros Vintage. Mas eu não chamaria isso de coleção. Sabe o que eu coleciono? Eu coleciono tentativas de coleções, depois perco o interesse.

GQ Style: O que pedras e cristais significam pra você?

Robert: Eles são pilhas pequenas tangíveis de energia e todas essas coisas. Não estou dizendo que sou um cara New Age, não mesmo. Mas existem coisas do tipo, você sabe, se não estiver contaminado- eu gosto de coisas que eu possa pegar, colocar no bolso e levar pra casa. Eu costumava colecionar tudo que era do Homem de Ferro [brinquedos que a Marvel lançava], mas ai o que aconteceu, eu comecei a andar com um monte de crianças, ou conhecer crianças e ir a festa de aniversários de amigos meus, e eu acabei dando todas elas.

Continua….