Confira abaixo a entrevista feita por Chris Ryan com Robert no dia 24 de abril de 2015.

Eu vi isso no RollingStone.com, escrito por Donald Fagen-

Viu?

É um diário de bordo, porque eles (Steely Dan) vão se apresentar no Coachella. E ele disse, que para aquecer, eles tocaram na festa de aniversário de 50 anos de um ator deveras conhecido, cujas iniciais são RDJ.

[Ri.]

Quero que leve isso como um elogio, sua festa de aniversário soa como uma canção do Steely Dan. Como foi a festa?

Foi… Eu ainda tenho vagas recordações dela, porque foi uma cerimônia tão alucinante… Eu não consigo nem descrever minha afinidade por Steely Dan, Fagen, [Walter] Becker, e cada uma das pessoas que já tocou em qualquer um de seus álbuns.

É fácil ouvir. Ler algumas de suas entrevistas anteriores – e essa poderia ser uma falsa narrativa – parece que, em algum ponto, talvez antes de Soldado Invernal, entrar na casa dos 50 (anos) seria um impedimento para continuar interpretando o Homem de Ferro, e então, de algum modo, isso se torna um catalisador.

Ok.

Você comprou essa ideia?

Eu gosto da sua falsa narrativa. Vamos continuar com ela. Sempre há uma resistência quando você se aproxima de fronteiras imaginárias. E algumas vezes elas podem servir como aceleradores. Falar que isso seja apenas um número é ser uma daquelas pessoas que tem desprezo a coisas das quais elas tem medo. De algum modo, isso certamente significou algo pra mim na sexta. Acho que também teve um significado no sábado. Durante o dia (de seu aniversário), nós estávamos nos preparando para sermos anfitriões desse tipo de festa com uma vibe retro-futurista.

Eu acho que jaquetas Nehru foram mencionadas.

Sério!? [Ri.] Enquanto essa integral particular está incorreta, com certeza fala pela lista de requerimentos, [e] havia várias limitações, entre aspas. De qualquer modo, o que eu esqueci foi que eu iria passar por esse tipo de experiência também. Eu acho que porque eu sou casado com uma mulher tão amável e presente, que também é uma produtora, muitas vezes nós sentimos como se pudéssemos cuidar dessas coisas – sendo elas para um ou outro, ou para ambos, ou qualquer coisa – e assim nós meio que percebemos depois que a gente estaria também participando daquela experiência.

Sim.

Mas voltando ao Steely Dan. Não há nada como ver Becker improvisar verbalmente junto de algo, e você fica, “Eu sei que eles vão voltar para aquela música; Eu sei que eles vão fazer aquela batida,” e isso é muito legal. E também quando Fagen sai quando a banda está preparada, só por tocar uma fusão de jazz nível 11, você simplesmente reage como “Ai, meu Deus.” E então ele volta e senta no seu teclado elétrico. Eu percebi, também, que … há pessoas que querem estar na moda e querem ser legal. E depois há pessoas que cessaram qualquer apego a isso e ainda assim eles estão, na sua essência.

Eu acho que na mesma entrevista, ele menciona que nunca tinha realmente escutado AC/DC, e que ele tinha parado de dar atenção às músicas ‘modinhas’ em 72, o que eu adorei.

[Ri.]

Como você continua fazendo esses filmes como Homem de Ferro, o jeito com que você fala sobre isso, você acaba falando de sua própria vida, e você vai falar sobre esses filmes, e os vocabulários meio que se entrelaçam. Há uma imagem de caverna que vem de ambos…

[Sarcasticamente.] Ótimo.

Você acha que esses filmes se tornaram algo que acabou transcendendo uma escolha de trabalho?

Certo, não, eu não sei aonde fica a maçaneta da porta em que você está batendo. Eu sei que abre-se sozinha, e às vezes me vejo dentro disso, mas não como se eu não conseguisse distinguir minha vida pessoal da minha carreira. Existe uma… algum tipo de constelação que faz parte dessa experiência, desse planeta… deixe-me explicar desse jeito: eu me encontrei com Keanu Reeves uma dezena de anos atrás. Ele tinha acabado de completar as filmagens do primeiro Matrix, e eu disse para ele, inocentemente, “Ei, cara, como foi?” Ele ficou tipo, “Eu estive em outro planeta por nove meses.” E eu, “Ah, ok… como foram as filmagens?”

Mas uma vez que eu vi o filme, eu reagi tipo, “cara, eu não fazia ideia.” E quando eu vi o filme, qualquer pergunta que eu poderia ter feito a ele, seria perfeitamente respondida com aquela resposta.

Minha carreira tem sido mais como uma versão em fogo baixo disso. Era um negócio criativo, uma coisa pessoal e intuitiva. E agora se tornou, não sei, eu acho que se tornou um produto nacional.

E é. É como se fosse uma exportação americana.

Sim.

Talvez tenha um pouco a ver com alguma das coisas que acontecem cinematicamente em Soldado Invernal, e arremete ao que esses filmes podem fazer de melhor, e parece que houve um interesse renovado depois disso.

Interesse renovado, e também com Guardiões da Galáxia, porque eu conheço os homens e mulheres por trás de toda a produção desses filmes. Realmente é um grande trabalho em equipe, e o fato de que eu sou meio que o brilho saindo do meu sorriso Colgate faz com que eu perceba que cada realização pessoal, normalmente tem milhares de faces. Agora, eu não quero ser um desses caras, [choro falso] “Cara, meus companheiros…” Sabe? Pra mim foi mais como um “aha.”

Eu quis reassistir alguns de seus filmes mais antigos antes de lhe encontrar, e eu realmente fiquei fascinado em Zodíaco, o que geralmente acontece quando começo a assistir Zodíaco.

Ok.

2005-07 foi um momento maravilhoso.

[Ri.]

Você concorda? Você fez dois dos melhores filmes dos últimos 15 anos naquela época.

Quais?

Beijos e Tiros e Zodíaco.

Como você é gentil… Olhe, eu estava apenas… Mamãe precisava de um par novo de sapatos. E naquele momento eu estava entrando em uma rotina – Eu estava entrando em uma pré-rotina, na verdade, e às vezes a pré-rotina é melhor que a rotina em si.

Esse é um jeito bem Steely Dan de pensar.

Não é? Outra vez, para mim, agora, é uma questão de tempo. Eu sei que um carro não é um carro clássico por 25 anos, mas vou lhe dizer, meu aniversário no sábado, tem muita coisa rolando aqui e ali. E o que está acontecendo entre promover esse filme e começar as filmagens de Guerra Civil, toda essa coisa, mais um novo bebê, entrar na casa dos 50 anos, eu estou tão no modo automático que parece que meus dados estão despejando-se espontaneamente. E não tenho julgamento nenhum a respeito disso, só acho curioso.

Você quer dizer que não se sente nostálgico?

Quero dizer que se eu quiser

comprar um rádio e encontrar um canal qualquer que esteja passando algo de meu interesse, eu vou encontrá-lo. E se eu prestar atenção, eu posso lhe dizer tudo o que está acontecendo. Mas só pra fazer um link com aquela época, quer dizer, foi engraçado… eu vejo aonde Jake [Gyllenhaal] está agora, e eu vejo o que ele tem feito com sua habilidade – e ele já era muito bom na época. E então eu olho para Mark [Ruffalo] e eu, e se alguém tivesse vindo até nós quando estávamos gravando Zodíaco e dito, “Hulkbuster, ein?” Nós reagiríamos tipo, “Quê!?” “É o que os fãs querem, cara. A Hulkbuster.”

Eu me sinto honrado com o fato do quão interessante a vida pode ser. Eu cresci em uma geração onde você deve dizer, “Nada é interessante a não ser o clube para qual estou me dirigindo.”

Quando você está fazendo trabalhos que não tem a ver com Sherlock ou Stark, não existem tantos holofotes. Eu sei que você está trabalhando em Yucatan, e sei também que vocês trouxeram o episódio “Entire History of You” para Black Mirror.

Correto.

Quão difícil é para você desistir, ou não ter a possibilidade de fazer algo como Inherent Vice ou Gravity que é a bagagem de outra pessoa, já que você tem outras coisas com que se preocupar?

Hm, sim, mas eu quero permanecer disponível, porque eu sei que tipicamente existem muitas pessoas que são bastante flexíveis e sábias que se transformam em uma ilha sem significado, só por ser conveniente. E também porque é lá onde ficam seus interesses.

Eu sou muito privilegiado por, primeiramente, ser amigo de Paul Thomas Anderson [diretor de Inherent Vice.] E ele é muito mais que um cineasta. Ele é alguém que você pensa, “Se eu pudesse passar um tempo com esse cara todos os dias, eu seria uma pessoa melhor.” Então, isso é ótimo. Ele e meu pai são colegas. Nós três vamos sair para jantar amanhã.

O que você achou quando viu o trabalho de Joaquin Phoenix no filme?

A: ninguém deveria ter feito aquele filme a não ser ele, e B: Paul não estava realmente pensando em mim para fazer aquilo, e não é porque ele é estava com dúvidas. É porque eles têm uma coisa de Scorsese-De Niro. Nesse momento, eu adoraria oferecer para Mr. Anderson todo e qualquer filme que eu for fazer de agora em diante. Eu amo assistir o que eles fazem.

Conte-me mais sobre Yucatan.

Nós estávamos em reunião com um mitólogo investigativo chamado William Henry, que estava na cidade fazendo alguns episódios para Ancient Aliens, e que escreveu dezenas de livros, todos dos quais eu li, alguns até se encaixaram perfeitamente nos caminhos que eu estava traçando quando me juntei a equipe do primeiro Homem de Ferro. Terry Rossio, que é apenas um escritor rock star, William Henry e eu estamos em algum restaurante de Malibu, botando pra quebrar. Nós temos um esboço, um rascunho. Nós mantivemos em progresso, acredito em mim, vai acontecer.

Você mencionou em outra entrevista que o desenvolvimento da história tem um gosto afrodisíaco para você.

E é também sua própria desvantagem, porque o processo é o processo. Outra vez, agradeço a Deus por Susan Downey. Ela fala Klingon, e ela realmente consegue me guiar através desse jogo multinível de xadrez que está tomando toda suas esperanças, pensamentos e intenções… É só mais uma versão do jogo Operator. E às vezes você precisa que isso se torne uma grande confusão por um longo tempo.

Como é jogar Operator no que é uma espécie de território tão desconhecido? Nós sempre pensamos sobre essas coisas em termos de trilogias, em termos de Star Wars, Empire, Jedi. Agora você vai para cinco, seis, sete anos no futuro, os atores que você ainda nem conhece que vão assumir esses papéis. Isso é emocionante? Assustador?

Eu tenho certeza que é um pouquinho de tudo. E acho, também, que quando você está olhando para o pistão da sua própria bobina você consegue se ligar em quantas coisas quiser, porque a vida não requer minha participação. É mais como um “aproveite a porra do dia e preste atenção.” E, também, você sabe, nessas circunstâncias, eu me sinto como um membro honorário para a Marvel e a Disney. Me sinto meio que um sócio.

Como equidade.

Eu acredito que sim. Eu nem sou a pessoa que investiu o que quer que seja que você tenha chamado de equidade naquele tempo. Quando você está envolvido em ilusões de bate-e-erra, é uma coisa muito estranha e hilária conseguir a capacidade de retomar e realmente ganhar algum bônus proprietário sobre isso. Mas eu sei que as condições que criam a equidade são bastante… são significativamente diferentes de projeto para projeto, mas aí existe o Tao para como servir de benefício. E muito disso requer que você apenas saia do caminho e perceba que as ondas podem ficar grandes, realmente grandes, e que às vezes, simplesmente aquela não é a sua onda, e quando você está em pé nela porque não perdeu o controle de sua prancha, isso lhe faz sentir bem.

Eu não sei. Eu não quero dizer que me sinto humilhado por isso. Eu só quero dizer que quando você vê o backstage do mundo desses empreendimentos massivamente criativos, é como quando Jacob escalou a escada, desceu e eles disseram, “O que você achou?” e ele disse, “Terrível.” Do qual ele quis dizer maravilhoso.

 

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