O contraste entre os dois atores não poderia parecer mais evidente. Robert Duvall, introduzido primeiro ao público de pé, no pré-lançamento de O Juiz, no Museu de Arte do Município de L.A., é essencialmente impassível, aparentemente esculpido em granito, reservado e tranquilo. Robert Downey Jr., por outro lado, salta para o palco, com toda a energia inteligente e uma rajada de palavras e um sorriso a mostra a todo momento.

Sentados em cada lado do diretor do filme, David Dobkin, e conversando com o moderador Elvis Mitchell, curador do Cinema Independente do LACMA(MAMLA), pareciam ser fogo e gelo, yin e yang – até que a sagacidade de Downey começou a se mostrar e desenhou um brilho que em seguida conquistou um sorriso de Duvall. E tornou-se muito claro que muito em breve “Bobby” Duvall – como RDJ o chama – definitivamente pode vender seu peixe no departamento de inteligência. A transcrição da entrevista a seguir:

Mitchell: Sr. Duvall, quando e como você decidiu fazer este filme?

Duvall: Bem, primeiro eu recusei. Mas, em seguida, David Dobkin e Robert e Susan insistiram, e todos nós conversamos, e eu decidi fazê-lo. Foi uma parte difícil. Eles me disseram que era um grande filme, e eu sabia disso. Às vezes, porém, quando você recusa algumas coisas e acaba voltando atrás, as coisas parecem de alguma maneira melhores.

Downey: Por sinal, uma estratégia excelente de negociação.

Duvall: Sabe, é difícil encontrar um grande material, e este foi um roteiro extremamente inteligente, muito inteligente. Grandes pessoas para trabalhar, Robert aqui, e Susan Downey, e David e todos. Uma equipe excelente, um elenco fantástico. E nós tivemos 60 dias para fazê-lo. Sabe, você geralmente só tem 23(dias).

Mitchell: Quais filmes você já recusou antes?

Duvall: O Grande Santini eu recusei. Às vezes, quando você reconsidera, o material parece melhor. Sabe, você tem dúvidas – mas você tem de se comprometer, e uma vez que você se compromete, você se compromete. Quando as pessoas me perguntam “O que você usa como pesquisa?” Eu digo que eu não uso nada, eu simplesmente atuo, eu me entrego a isso e o faço. E trabalhar com essas pessoas. Essas pessoas. (olha para Downey) – eles foram maravilhosos para se trabalhar. Esse pode ser talvez o maior filme que eu já fiz desde Apocalypse Now. Há um longo tempo atrás. Muito tempo.

Dobkin: A primeira conversa que eu tive com Duvall foi ao telefone. Eu sabia que ele estava indeciso sobre fazer o filme. Eu queria que ele soubesse que eu e Robert somos grandes fãs – nós dois acabamos de ver um filme chamado Segredos de um Funeral. (platéia aplaude)

Downey: (para Duvall) E o que você pensou de Segredos de um Funeral a primeira vista? Você recusou também?

Duvall: (ri, balança a cabeça)

Downey: É bom que ele continue recusando esses filmes, ou seus companheiros teriam biografias muito curtas.

Dobkin: Tivemos uma breve conversa, sabe; e havia uma ligação sobre o material, a autenticidade e o fato de que esse tipo de filme não é mais feito nos estúdios.

Duvall: Isso. Filmes independentes, do tipo que eles costumavam fazer nos anos 70. As pessoas dizem que não gostam mais deles, mas eles ainda gostam. No entanto, eles não são mais feitos dentro do sistema.

Mitchell: Eu tenho que dizer, Sr. Downey, quando você interpreta pais, esses caras todos parecem ser tremendamente frustrados: Charlie Bartlett, Um Parto de Viagem – eles são facilmente frustrados. E eu me pergunto o que isso desencadeia em você, fazendo esses caras que meio que tem o temperamento muito instável.

Downey: (Para a platéia) Você percebe como as primeiras perguntas eram boas e generosas? (Para Mitchell) Você está perguntando, tipo, o que há de errado comigo?

Mitchell: Eu nunca falaria isso na sua cara.

Downey: Basicamente o que aconteceu foi que David teve essa ideia, e quando você é um escritor/diretor e você está brincando com uma ideia, geralmente vem em algum lugar fora de sua experiência pessoal. E gastamos um monte de dinheiro da Warner Bros nesta coisa de desenvolvimento, e nós tivemos um monte de coisas que pensávamos que iríamos fazer – e quanto mais nós nos sentamos juntos para resolvê-lo, mais eu me senti como, uau, isso vai ser realmente especial. A propósito, no começo eu também disse, bem, eu vou dar essa oportunidade à patroa – ela gosta desse tipo de drama de tribunal/família, parece bastante divertido, sabe – eu quero fazê-la feliz. Assim, como o Bobby estava dizendo, às vezes você inicialmente tem um pouco de resistência às coisas. E, honestamente, acabou por ser uma das melhores experiências que tive na minha carreira, apenas o processo de desenvolvimento desse filme – apenas um grupo de rapazes, a patroa, os escritores e todas essas coisas. Mas foi realmente quando Bobby chegou – é aí que você vê que conseguiu, é aí que você vai para casa e diz que realmente vai acontecer. Então é só uma questão de execução.

Mitchell: Como foi no início, trabalhar com Duvall?

Downey: Bem, realmente não foi intimidador. (A audiência ri.) E é verdade, honestamente. (Para Duvall.) eu poderia sentar e ouvir você falar por horas – as histórias e as coisas por qual ele é apaixonado. E quando se trata do trabalho, você sabe, eu sei que algumas pessoas que são realmente talentosas mas infantis, eles gostam que as pessoas os ouçam falar sobre o “processo”. É típico. Eu posso ser uma dessas pessoas, às vezes. Mas, Bobby é meio que, (imita Duvall) “Vamos apenas fazer isso. Falar e ouvir.”

Duvall: O que mais está aí? (Audiência ri)

Mitchell: (Para Duvall) O que você lembra da primeira vez que conheceu Robert Downey?

Duvall: Bem, na primeira vez que eu conheci Robert, foi num restaurante grego em Malibu, ele veio até minha mesa, se identificou e eu não o reconheci. (Audiência ri) E depois eu o vi em um filme que eu gostei e eu fiquei meio “Oh!” – e me senti um pouco mal sobre isso. Ele é um cara muito gentil – ele não tem esse negócio que muitos atores têm de narcisismo. Ele é um cara muito aberto, muito democrático, um cara ótimo para se trabalhar – muito talentoso e democrático. Quando nos sentamos e conversamos, me senti bem. E eu gostei de seus sapatos – ele tem ótimos sapatos. Tipo diferentes todos os dias. Ele foi ótimo e sua mulher é maravilhosa. Tivemos 60 dias pra gravar o filme, o que foi monstruoso. E estávamos em Boston, onde tem boa comida – todos nós nos sentamos diante de ótima comida; era um pré-requisito, todo dia.

Downey: A propósito, eu vi Bobby dezenas de vezes antes de finalmente dizer “Preciso ir lá e prestar minhas homenagens à esse grande ator americano.” Então me direcionei a ele e disse “Sr. Duvall…” e ele disse “Sim…?” E ele me olhou como se eu fosse lhe dar sua comida pra viagem ou algo do tipo. Mas verdade seja dita, eu lembro de ter trabalhar com ele em Até Que A Morte Nos Separe, de Bob Altman. Nós não participamos de nenhuma cena juntos, mas eu me lembro de sentar ao seu lado na sala de maquiagem e ele estava interpretando esse personagem todo selvagem, e eu o assisti se tornando esse personagem todo dia. Apenas falando… e ouvindo. Desculpe: falando, ouvindo e comendo. Sem tempo para brincadeiras.

Duvall: Eu me lembro que você parecia meio perdido.

Mitchell: É verdade? Você estava perdido?

Downey: Se o Sr. Duvall disse que eu parecia perdido, eu provavelmente estava.

Mitchell: Esse filme tem um grande elenco. Você gosta da tensão de trabalhar com muitas pessoas, em um grande conjunto?

Dobkin: Eu gosto – Eu gosto dessa tensão. Eu gosto da ideia de pessoas que param um barco no meio do oceano e no meio de uma tempestade juntos. E eu acho que de certa forma você molda as pessoas ao seu gosto. Você sabe, uma das grandes coisas sobre um filme como este é que você se belisca enquanto está no set. . Você está fazendo um filme com Robert e Robert e Billy e D’Onofrio e Vera. É um tom que é criado com as personalidades, com quem estão essas pessoas. E você os colocam juntos corretamente, é como um conjunto com uma química mágica. Então, sim, eu me sinto atraído por isso – eu me sinto atraído por juntar pessoas muito interessantes. E nesse filme, certamente, era uma alegria nova todo dia. (aponta para Downey) Você sabe, ele está em todas as cenas, e (aponta para Duvall) ele está em todas as outras cenas, e essa foi uma experiência incrível. Eu me lembro do primeiro dia de ensaio, eles estariam em uma sala juntos, e eu coloquei minha mochila e entrei na sala pensando “Caramba, eu vou estar em uma sala junto de Robert Downey Jr. e Robert Duvall, e é melhor eu não parecer um idiota. É melhor eu dizer algo inteligente quando entrar naquela sala.”

Downey: sabe, por mais calmo que seja mantido, David é facilmente um dos diretores mais talentosos com quem eu já trabalhei. E a coisa mais interessante é que nós tivemos uma fase de ensaios onde no final ele estava dando algumas orientações, improvisando, nos guiando enquanto o ensaio ocorria – nós recebemos a programação, e quando acabamos, David disse “O ensaio acabou, vejo vocês no set, porque pisamos neste concreto pela última vez.” Eu não trabalhava desse jeito por décadas. Isso me trouxe pra esse processo essencial. E no final de tudo, Duvall era o chefe do departamento de atuação e o chefe da família, se ele falasse para o personagem de Jeremy buscar um café e ele não fosse, nós sabíamos que não terminaria bem. Ele tinha o controle sobre os três filhos, e isso fluiu. Outra coisa legal é que depois desse dia não tivemos mais ensaios.

Mitchell: (para Duvall) Você gosta da fase de ensaios?

Duvall: Como Downey diz, “Ensaio é para maricas!”

Mitchell: Mas vocês tiveram três semanas de ensaio, o que foi um luxo incrível. Isso é de extrema ajuda para você descobrir o que fazer com o personagem, não é?

Duvall: É… Mas muito disso você descobre no dia. Você não quer pensar muito nisso. Alguns desses atores metódicos entram em cena com uma grande bagagem do passado.

Downey: Todo mundo vai ser jogado pra parte de trás do ônibus no momento em que terminarmos aqui.

Duvall: Mas você tem que estar no momento, seja no ensaio ou de verdade. Você tem que estar relaxado – mas como Wilford Brimley, o velho ator, disse “Quando eles dizem “ação!” é melhor você surgir com algo.” Hmm… qual era a pergunta?

Downey: Nós tivemos 60 dias disso. E é absolutamente incrível e muito verdadeiro: dia após dia, todos os dias, nós diríamos: “Bem, o que temos na próxima semana?” “Bem, na próxima semana vai ser você e Bobby no banheiro, e depois vamos fazer aquela tempestade em que vocês estão discutindo na cozinha, e depois vamos no porão e depois disso vamos filmar onde vocês estão começando a lutar.” E então a gente ficava tipo, “Ok, mas meu Deus, então a próxima semana desacelera um pouco, certo?” “Não, não, semana que vem estaremos gravando” E cada um desses dias foi, você sabe – eu só não sei como você se “re-prepara” todos os dias. E eu tinha acabado de ver o que Duvall fez, e ele tinha acabado de entrar e dizer: “Eu sei, eu estou pronto.” E eu lembro que você falou sobre aquele diretor, o que ele dizia?

Duvall: Na verdade, eu sou um dos grandes da velha escola, como todo mundo. Sim, esse diretor disse em um filme pra um ator, “Quando eu disser ‘Ação!’, fique tenso, p****!” Você pode imaginar dizer isso para Joe Montana no Super Bowl – não funcionou. Mas nesse caso resultou em alguma, sabe… tensão.

Mitchel: Como foi o primeiro dia de filmagem; alguma coisa engraçada?

Downey: O primeiro dia nós estávamos no escritório de Kennedy, e ele estava dizendo “Wow” um bando de gente, e o juiz está trazendo Hank  e dizendo: “Cale a boca e escute.” E eu não posso me ajudar, eu tenho que perguntar se o seu forte é  mobiliário ou direito. Eu me lembro daquele dia: Meu coração estava batendo no meu peito, porque nós estávamos começando essa coisa, essa viagem de cem mil milhas. E eu olhei para Bobby e eu pensei, bem, ele não está fazendo nada, só olhando para o alto. E então você o vê  no monitor, e vê-lo fazer essas coisas extremamente sutis que colocam a cena para frente. E eu digo: “Bem, eu não sou Sr. que faz coisas sutis.”

Duvall: eu só tinha três falas naquele dia, mas eu continuei. Eu acho que foi a minha forma de nervosismo no primeiro dia. Alguns dias você está a  todo o vapor, e outros dias você está um pouco hesitante. Eu tive que encontrar meu próprio nicho, e isso não aconteceu de imediato.

Dobkin: No primeiro dia, você tenta encontrar algo que não é muito difícil, para aquecer toda a gente e torná-los confortáveis​​. Dax Shepard – ele tinha um monólogo de três páginas, basicamente, na frente desses dois ícones. Mas correu muito bem, eu acho.

Downey: E, então, nós re-filmamos. Mas continuamos gravando com o Bobby.

Dobkin: Você não quer sair das trincheiras o primeiro dia e levar um tiro na cara. Você só quer fazer uma cena que você pode enviar para o estúdio e eles vão ver o tom do filme e todo mundo vai dizer: “Ótimo, eu entendo.”

Downey: Minha maior conquista do dia foi, tivemos de subir a um patamar real. E foi doido. E eu disse: “Ótimo, por que não aproveitar este fã e colocá-lo na janela e anima-lo?” E o cara do som diz: “Não, não, nós não podemos!” E eu disse: “Vamos fazer uma coisa: por favor, não diga não, não podemos, quando podemos “Então – espero que todos gostem do fato de que há um ventilador na janela..

Dobkin: O departamento de som teve que trabalhar muito duro para se livrar disso.

Downey: E eles fizeram um ótimo trabalho.

Dobkin: Temos esse cara chamado Capitão do Audio – ele é como um arqueólogo do som. Ele passa por ondas de áudio e as limpa.

Downey: (brincando) a lição de casa do Capitão do áudio. Capitão 97 graus sem nenhuma razão no primeiro dia.

Mitchell: Essa última cena do tribunal era realmente sobre o juiz não ter poder mais. Parece que foi uma das cenas mais difíceis do filme. Como foi filmar isso?

Dobkin: Filmamos isso no final. Foi na semana passada, apenas porque o set teve que ser construído e havia um monte de setup de iluminação nas cenas. Foi uma daquelas coisas lentas, mas foi uma daquelas coisas onde, lembro-me de olhar para trás, a cena começou muito lenta no set e então algo aconteceu, onde todos se reuniram. Olhei para Bobby, e foi a tomada cinco ou seis, e eu ia perguntar se você queria fazer outra, e você estava pronto para ir imediatamente. Então eu pensei, bem, vamos apenas continuar. E algo aconteceu, meio que clicou, e nós fomos capazes de fazer toda a cena quase na sua totalidade. E nós nunca tivemos de alterar qualquer coisa, o comprimento da cena na edição,o ritmo real que você criou com a sua entrega nessa cena é em tempo real, em 12 minutos. Foi uma espécie de magia.

Mitchell: (a Downey) Qual é a sua filosofia em um dia como esse?

Downey: Eu só quero que todos estejam de bom humor quando estamos fazendo coisas difíceis, sabe? E, você sabe, há uma parte de mim que automaticamente fica deprimido fazendo uma cena de tribunal. OK, não é a primeira vez que eu fiz cenas de tribunal. E muitas vezes como, “O que vamos fazer amanhã?” “A cena da sala de conferências – e vamos filmar oito vezes no domingo?” E eu digo: “Oh, meu Deus, é David Fincher que vai dirigir”? mas mais do que qualquer outra coisa, foi o conteúdo: esta cena é o culminar de toda esta história. E o que eu estou tão orgulhoso, é que esse filme é divertido e espirituoso em tudo, e depois há estes momentos emocionantes quando ele o abraça e é muito emocionante. Bobby sempre dizia: “Quando você assiste a um documentário sobre uma pessoa que está falando de uma morte em sua família ou algo que é inconcebível para eles, eles não estão apenas chorando ,estão tentando não sentir. Por que não podemos apenas fazer isso? “E eu era como,” Goddamn. Porque eu gosto de chorar um pouco, se eu tenho um close-up. ”

Duvall: Se chorar significa uma boa atuação, minha tia Julia poderia ter ganho um Oscar. (Audiência e Downey começam a rir sem parar)

Mitchell: Uma das minhas cenas favoritas no filme é a cena na estrada ,quando eles se afastam um do outro. Isso é um momento tão icônico – Eu amo essa cena.

Dobkin: Bem, no roteiro originalmente essa cena foi toda feita no carro. E isso é uma das coisas que você faz como diretor – você tem que visualizar as coisas. E a imagem desses dois caras andando longe um do outro, com estes irmãos presos dentro deste carro – Eu sei que isso vai soar como bullshitting psicológico, mas é verdade: quando alguém está mal na família, qualquer um que seja, então todos ficam mal. Você  não escapa de uma pessoa que tem um vício de drogas ou a uma pessoa que está na cadeia ou a uma pessoa que está sofrendo de uma doença ou depressão. Todo mundo está preso dentro disso. É essa a imagem dele(a Downey) Lembro de falar isso com você no ensaio. E então, em seu caminho habitual quando as borboletas estão voando por aí no momento, você se virou e disse “penitenciária estadual é dessa maneira”, e então (a Duvall) disse “Kiss my ass”.

Downey: E também foi muito grande, porque a cada dia eu iria, e – você sabe, não há nada mais frustrante do que um diretor que está completamente despreparado quando deveriam estar filmando. Como eu vou mostrar em um conjunto e o diretor vai dizer: “Bem, o que vamos fazer hoje?” E eu “Espere um minuto – você está me perguntando isso?” Mas (David) tinha essas diatribes – Eu acho que nós enquadrando um – “. Mesmo que jogar tudo fora, eu não quero desperdiçar seu tempo por não saber o que devemos fazer” sobre ângulos que iríamos filmar, e ele disse: Então, essa cena, algumas das outras grandes cenas, a cena do banheiro – nós fizemosde forma muito eficiente, porque queríamos apenas abrir a íris e fechá-la e capturar tudo. E eu me lembro daquele dia, com todos os planos e ângulos e todas as coisas que fizemos, ele realmente passou muito rapidamente.

Mitchell: Bobby, qual foi a cena mais difícil para você?

Duvall: Bem, eu acho que fazer uma cena muito emocional é realmente muito mais fácil do que tomar um copo e colocá-lo daqui para lá. Eu acho que a série de cenas no quarto e no banheiro – eles poderiam ser difíceis. Mas quando se faz certo, então é fácil.

Dobkin: Eu sei que uma de suas cenas que eu mais gostei – que todos nós tivemos apreensão sobre – foi a luta  na cozinha. Nós tínhamos criado e o levantou de uma certa maneira para que eu pudesse atravessar as câmeras e realmente tratá-lo como se fosse uma peça de teatro. Como você estava tendo a luta de verdade e nós estávamos indo documentá-la. E, naquele dia, algo aconteceu e você só entrou no fluxo das coisas. Eu me lembro de você indo embora no final do dia e dizendo “Isso foi ótimo.” E havia um belo ponto na cena em que você disse: “Esperamos por você” – em silêncio. E isso me deixou pasmo. Era uma espécie de uma daquelas belas descobertas.

Duvall: Essa é a única parte que eu tinha permissão para improvisar. De vez em quando você tenta esgueirar-se em algo. Enquanto não dói. Às vezes, quando você improvisa pode ser prejudicial. (Para Downey) Você se cansa rápido – você quer improvisar.

Downey: Só se você disser que sim.

Duvall: Mais uma vez, foi  um roteiro inteligentemente escrito. Mas isso- tudo o que o roteirista fez foi entrar e sentar-se e ficar em torno do set e parecia que ele estava perdido. Ele me perguntou: “Qual foi a sensação de estar no The Godfather? Qual foi a sensação de estar em Lonesome Dove? “Isso é tudo o que ele tinha a dizer. Ele parecia perdido, mas ele escreveu um roteiro tão bonito.

Downey: E outra coisa que Bobby acrescentou naquela cena foi  “De nada.” E essa cena, mais do que qualquer outra cena do filme, quando as pessoas têm visto isso … você sabe, às vezes as pessoas falam sobre a cena no banheiro, e eu vou “Sim, sim, sei lá …” e, claro, aquela coisa toda, eventualmente desloca por isso não é tão piegas. Mas aquela cena em que o juiz diz: “De nada”: todo mundo diz: “Você sabe, eu tive uma discussão com minha mãe , e ela despejou um desses em mim.” E é aquela coisa onde você está apenas à esquerda e você vai “Eu não posso discutir com a lógica”, e é aquela coisa onde eles foram e eles colocaram o botão sobre ele, e não é o que você quer ouvir, e você quer ser compreendido mais do que você deseja entender, mas naquele momento você está tipo de intestino perfurado. Eu te amei naquela cena. Meu Deus, foi assustador. Aquela cena onde me colocar no meu lugar na cozinha e o vento está soprando. E você ganha. Não me admira que você parecia tão feliz.