Categoria: teatro do absurdo

*Teatro do absurdo é um termo criado pelo crítico húngaro Martin Esslin, tentando colocar sob o mesmo conceito obras de dramaturgos completamente diferentes, mas que tinham como centro de sua obra o tratamento de forma inusitada da realidade ( Obrigado Wikipédia ).

Dica: Esse post contem mega spoilers, neologismos e um pouco do realismo!

Dentro das necessidades de convivência em sociedade é de suma importância que se conheça as linhas que delimitam os limites que separam homens ‘’bons’’ dos ditos ‘’maus’’. Para tanto vulgarmente nos é ensinado que: homens maus são aqueles para cujo mau comportamento existe punição. Ou seja aqueles que agem de forma marginal, á margem de um comportamento dito seguro e civilizado, cuja motivação nos é desconhecida ou simplesmente ignorada. Para Machado de Assis ( escritor brasileiro da linha realista ) o homem não é de todo bom ou ruim, mas sustenta máscaras ao longo de sua vida as quais sugerem uma alegoria, adaptação, mentira, uma projeção de um comportamento esperado pelo social que não corresponde a real personalidade. Assim sendo, para ele, todos somos maus, com a diferença na maestria com a qual regemos nossa interpretação, sendo mais ou menos convincentes, cada um com a máscara que lhe serve. Dentro desse raciocínio temos Peter Highman, um arquiteto de Los Angeles que em meio à conturbação de seu emprego viaja á negócios deixando uma bela moça grávida em casa. Moça essa alias protagonista de seu pior pesadelo! Mas olhe que esse pesadelo renderia um filme ( e rendeu ) porque eu juro que nunca, nunca, nunca mesmo imaginária um filho meu nascendo ‘’pelas’’ mãos peludas de um urso…é…é estranho, é estranho…mas cada louco com a sua loucura!
Peter é um homem sério, dedicado ao trabalho e ao seu futuro filho, pai de primeira viagem o moço não tão gentil, um tanto rude, deve voltar para casa a tempo de assistir ao nascimento do pimpolho. Mas citando Drummond ‘’ Tinha uma pedra no meio do caminho, no meio do caminho tinha uma pedra’’ e que pedra *( entendedores entenderão ), uma topada, uma trocada de olhares, malas, isso até poderia ser o inicio de um livro romântico! Caso não fosse a topada com Ethan Tremblay! Unidos por um infeliz infortúnio, ( fica a dica, não é legal ficar gritando 4:20 por ai * )Peter se vê obrigado a cruzar o pais com Ethan, mas qual não foi a surpresa quando Tremblay demonstrou ser algo mais do que apenas divônico! O dono do tarado Sunny apesar da permanente tinha um coração enorme e um senso de estética terrível! Agraciado por sua habilidade Tremblay acompanhado também de seu pai ( aquele momento uaderréu – o ‘’What the hell’’ caipirês pra quem não conhece ) transfere a viagem um teor cômico, ou pelos menos tenta! Faz de tudo para tirar o arquiteto do sério, mesmo que não intencionalmente, mas tenta! A essa altura você pode estar se perguntando o porquê da ‘’ladainha’’ sobre Machado de Assis, pois bem amigos… Dentre Tremblay e Highman, surpreendentemente quem faz o papel de ator não é tanto Tremblay, que apesar de esconder seu nome e às vezes contar uma mentirinha ou outra, se vê mais fiél a personalidade transloucada de um homem de meia idade, que se diz lá pelos vinte. É em Highman que vemos o ator mais promiscuo (olhem as mentes poluídas) um ator que ‘’finge’’ tão bem a ponto de não o perceber. Começando com um homem que não se abre ao novo, a conversa, mas que com o passar das cenas se revela um homem de múltiplas máscaras, como se a cada novo acidente um pequeno martelinho batesse contra elas, fazendo com que caíssem, revelando uma nova face.

Então entramos numa metonímia eterna? Um ator que interpreta um personagem cuja função é ‘’ser’’ um ator? Espera, espera… Robert dessa vez encarou um papel que por si só se contradiz, de metamorfose ígnea, começando com uma pedra rebuscada tomada por vários níveis de relevo, transformando-a aos poucos, livrando-se do excesso de material, tornando-a mais fiél a original, ou seja o processo inverso daquele que trilhamos hoje. Peter ao final de sua jornada é um homem mais leve e mais condizente com seu eu, abandonando o passado, um verdadeiro presente após esse parto de viagem. ( mas não é que o filho nasceu mesmo pelas mãos de um urso…óia, será que o mundo dos sonhos tem mesmo influência sobre o real…isso quem sabe a gente não converse um dia! )


Coluna por Pâmela Gomes
# coluna, due date, Peter Highman, teatro do absurdo

*Teatro do absurdo é um termo criado pelo crítico húngaro Martin Esslin, tentando colocar sob o mesmo conceito obras de dramaturgos completamente diferentes, mas que tinham como centro de sua obra o tratamento de forma inusitada da realidade ( Obrigado Wikipédia ).

O TEATRO DO ABSURDO ESTÁ DE VOLTA PARA A SUA ALEGRIA!
Na sua grande reestréia nós trazemos para vocês o nosso querido Steve Lopez.


Quem controla o passado, controla o futuro e quem controla o presente, controla assim o passado. Essas foram as sábias palavras de George Orwell a cerca de nossa humanidade, porém acredito eu que ele talvez pudesse ter sido mais especifico. Quem controla a escrita, controla o passado, o presente e então o futuro. Em outros termos, quem tem o controle da escrita pode dar ao mundo sua própria e irrefutável versão da verdade, glorificar homens ‘’maus’’ em uma simples artigo de jornal, ou em 140 caracteres destituir um

governo.

Steve Lopez é um repórter de talento imensurável, criativo Steve conseguiu até que seu acidente de bicicleta ganhasse um cantinho em sua coluna. Escrevia sobre qualquer coisa, qualquer um, sendo capaz de transformar um acidente em algo interessante não é de espantar que um jovem esquizofrênico que tocava seu violino, de apenas de duas cordas, num dos parques da cidade, fosse sim uma reportagem rentável. Nathaniel Ayers é o outro lado da história, esquizofrênico, mas também um musicista impecável, inconstante, agitado…O que começou com uma simples reportagem rendeu a ambos uma amizade que iria durar. Não que Steve no começo estivesse muito preocupado, afinal teria sua reportagem, sua história de fazer chorar, manteria seu emprego e assim talvez, apesar dos problemas com a esposa e filho, pudesse colocar a cabeça com mais tranquilidade no travesseiro.

 Mas a inconstância de Ayers era algo que lhe despertava a curiosidade, não poderia apenas dar as costas a um ser humano que poderia vir a ser um dos grandes gênios da música, não poderia dar as costas a um ser humano tão frágil quanto ele. Como sempre nem toda história é perfeita e quanto mais apegada a realidade, mais distante da perfeição ela vai estar. Durkein, um filósofo do sec. XIX dizia que o suicídio não é algo causado por um ato individualista do suicida, mas que esse em complô indireto com uma sociedade cujos padrões impecáveis o impõem a uma estética, apela para a morte como sendo a solução para os seus problemas. Para Lopez e Ayers não foi necessariamente a morte física, porém a morte de seus ideais e sonhos, talvez a certeza de que se tornar um musicista famoso, viver longe das ruas, ou ter um relacionamento saudável com a família fosse algo tão distante das mãos, que não valia mais lutar. Em meio a tentativas, os dois constroem seu relacionamento baseado em confiança, aos poucos Steve e

Nathaniel passam a se enxergar como semelhantes, cada um com sua ‘’deficiência’’ ilustrando aquele comportamento humano de tolerância que muitos desejamos, sem piedade, sem dó, uma relação baseada fortemente no reconhecimento de suas fraquezas. 


 Dentro desse conceito, temos o Robert como interprete do senhor Steve Lopez, numa interpretação impecável devo dizer, o semi usado Robert ( pra não chamar de idoso hehe ) mostra ao seu público tudo o que tem, caminhando numa corda banda sentimentalista digna do movimento romântico. De lágrimas a pancadas, o digníssimo sr Downey atende a todas as expectativas e até mesmo quando seu comportamento nos dá razões para odiá-lo, ele dá a volta por cima, coloca razões vs sentimentos sobre a mesa, nos fazendo repensar nossa postura diante da sociedade, nossas ações e o mais incrível de forma autônoma, sendo guiado por sua consciência, um pioneiro solista, um desbravador da alma humana.

Coluna criada por Pâmela Gomes.

Nós colocamos um tópico lá em cima no canto da nossa página, caso você queira conferir os outros personagens da nossa coluna!

# coluna, o solista, steve lopez, teatro do absurdo
 *Teatro do absurdo foi um termo criado pelo crítico húngaro Martin Esslin, tentando colocar sob o mesmo conceito obras de dramaturgos completamente diferentes, mas que tinham como centro de sua obra o tratamento de forma inusitada da realidade ( Obrigado Wikipédia )*

Teatro do absurdo, Sherlock Holmes, 

O cara das sombras…

Olá, olá, estamos de volta com a nossa coluna, agora semanal creio eu (ignorem), sobre os personagens interpretados por sir Downey Jr. E hoje para nossa segunda edição, temos o orgulho de apresentar um homem que realmente define a lenda ( que lenda? Eu não sei, só achei legal dizer isso ) , sir Sherlock Holmes.

Quem já teve a oportunidade de ler um dos livros do Sir Arthur Conan Doyle pode dizer que a imagem que nos é formada dentre as páginas, de Sherlock Holmes, é bem diferenciada da que vemos nos filmes. Afinal vemos lá, já um senhor, muito astuto, um típico inglês, rechonchudo, talvez já grisalho, um belo casaco cinza acomodado ao corpo, um chapéu a agraciar os cabelos e talvez um relógio de bolso, como o do coelho branco, de Alice in Wonderland. Ok, antes que eu comece a piorar e a fazer referências onde certamente não há, voltemos ao autor correto!

Tumblr_kyei2fh3hc1qapcpeo1_400_largeSir Doyle escreveu sobre um homem capaz de desvendar os mais inescrupulosos mistérios, um homem um tanto…’’reservado’’ locado na rua Baker Street, 221 B Londres. Não estamos falando aqui de um romance policial, então na maioria das vezes o lado mais intuitivo e racional, leva vantagem, deixando os aspectos ”romancescos’’ dignos de Sheakspeare de lado. Neste caso a srta Irene H. Adler que funciona como um segundo plano nas histórias, quando ela é presente, dando aos casos de Holmes uma maior importância. Digamos como, ”primeiro os negócios depois diversão”. ( não levem isso para o lado negro, por favor )

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Holmes é um homem um tanto excêntrico, não se pode negar que um homem que cria cobras (Segundo filme ) em casa para testar suas teorias seja menos do que isso, até em Gladstone, o pobre cão de Watson, Holmes já testou seus medicamentos! Watson, ó bem Watson…ah caro amigo do peito! Watson , ou melhor o caro doutor John Watson é seu companheiro de aventuras, o tapa buracos, tira Holmes de encrencas, etc, etc… Literalmente ele é o complemento a personalidade de Holmes, não , John não é o contrário de Holmes, no fundo os dois tem mesmos ideias, porém o caro doutor mantem sua ‘’loucura’’ a tanto…contida?

Talvez loucura seja a palavra chave. Sejamos sinceros, quando nos desligamos de tudo, geralmente é quando temos um ápice criativo, ironicamente quando não pensamos em nada, é justamente quando pensamos em tudo! Um estágio criativo, um estado de alma, Holmes consegue prever os movimentos de seus opositores, como num jogo de xadrez travado invisivelmente, tão preciso como o mais complexo recital de balé.

Um dança para dois, diga-se, travada essencialmente (segundo filme) por Holmes e pelo professor Moriarty, o maior de todos seus casos. O gênio, capaz de igualar se não superar o grande Sherlock Holmes (fora Arsène Lupin, mas isso não vem ao caso, autor errado, autor errado!!! ) Um tango apaixonado que só poderia terminar em morte. Um luta de titãs, com nosso mocinho preferindo jogar-se do alto do castelo ( isso soa como um conto de fadas, pensando bem…) para livrar o mundo do grande mal de uma nova guerra mundial, dando sua vida em troca de muitas outras. Santo respirador! Santo Microft!

Tumblr_m7ktghmqmf1r5gy4zo1_500_largeMas onde entra Robert nisso tudo, afinal o moçoilo não tem o porte de um inglês rechonchudo recém saído de uma padaria, ( ou de uma loja de donnuts, Iron Man feelings…) Robert não faz o tipo inspetor enxerido, porém para este papel, diferentemente do oferecido pela Marvel, Downey, na minha humilde opinião de telespectadora, deu uma nova face ao personagem. ( Convenhamos que o Holmes tem várias ”caras’’ hoje em dia, but however…) Holmes ganhou um ator com capacidade de compreende-lo e interpreta-lo, não creio eu que este tenha sido o melhor dos personagens de Downey, até porque pelo simples fato deste não tê-lo vestido imediatamente, como foi com Tony Stark por exemplo. Foi necessário um tempo maior para que Robert realmente conhecesse Holmes a ponto de recria-lo a sua imagem, literalmente.

Recriado, encontramos nos cinemas um novo conceito de Holmes, não tão fiel ao físico ( graças aos céus ), porém tão e se não mais importante, conhecemos com nosso baldinho de pipoca tamanho família, o gênio, a mente e graças a sua psicose, aos pequenos momentos de delírio em câmera lenta, conhecemos um pouquinho mais do sir que vive em Baker Street.

Foram necessários dois filmes para que realmente conhecêssemos esta natureza tão mutua do interpretado. Conhecemos Holmes no primeiro e no segundo, suas técnicas, medos e vulnerabilidades. Conhecemos a lenda para depois conhecermos o homem. Conhecemos a batalha travada no cérebro de um gênio ainda não reconhecido verdadeiramente, a constante luta entre sua genialidade, luz, e sua ”loucura’’, trevas, num verdadeiro jogo de sombras.

Bom para finalizar, peço desculpas a todos que estavam esperando a coluna sobre Steve Lopez essa semana, acho que toda essa animação do lado de fora de casa, graças ao carnaval, tirou toda a concentração que eu precisava para escrever sobre O Solista. Novamente, essa coluna é inspirada na Avengers: Random & Fandom do blog Vingadores Da Depressão.

Próxima semana, Peter Highman, Due Date ( Um Parto de Viagem )

# coluna, sherlock holmes, teatro do absurdo