O logotipo certo diz muito sobre uma compania, MGM não seria a MGM sem seu leão. Amblin é definida por um ET em uma cestinha de bicicleta. E onde a Pixar estaria agora sem sua lamparina pulando? E então há o logo da Team Downey, a casa de produção que Robert Downey Jr. e sua esposa Susan Downey abriram há pouco mais de 4 anos atrás. Tem formato de uma placa de trânsito amarela, com uma figura desenhada de um paciente mental numa camisa de força sendo perseguido por uma enfermeira com uma redinha de borboletas.

Que lhe diz praticamente tudo o que você precisa saber sobre o Sr. e Sra. Downey, a maior ilustração de um casamento “perfeitamente simbiótico” de Hollywood (pelo menos de acordo com o diretor de Sherlock Holmes, Guy Ritchie).

“Vou desligar o ar condicionado,” anuncia Susan, 40, levantando-se de sua cadeira na espaçosa sala de estar da Team Downey. “Tá congelando aqui!”

“Não, deixe ligado,” pede Robert, 49. “Essa é a temperatura perfeita para criatividade!”

Susan rola seus olhos – “Oh, por favor…” ela reclama – então desliga o ar condicionado e volta para sentar ao lado de seu marido, que está jogado no seu sofá de couro. É agosto e ela está grávida de cinco meses do segundo bebê do casal – seu filho Exton nasceu em 2012 – mas seja lá a barriga que ela esteja carregando, está escondida em baixo de um elegande xale. Por coincidência ou não (se você crê no que Freud disse sobre coincidências), o casal se arranjou para essa entrevista na posição de terapeuta e seu paciente – um sentado, outro deitado no sofá. Se não fosse pelo seu segurar de mão e ocasionais beijos, você acharia que tinha tropeçado em uma sessão.

Em 10 de outubro, a Team Downey irá lanãr seu primeiro projeto interno, O Juiz, do qual Robert interpreta um advogado implacável da cidade grande que retorna pra sua cidade natal para o funeral de sua mãe e acaba ficando um pouco mais depois de descobrir que seu pai, do qual estava afastado há anos, um juiz local interpretado por Robert Duvall, é preso por homícidio no trânsito. Como em todos os casos com primeiros bebês, a chegada de O Juiz está os corredores da Team Downey com passos cada vez mais nervosos. Não foi particularmente um filme caro (a estimativa é de apenas U$ 50 milhões, fornecidos pela Warner Bros., que encobre grande parte da sobrecarga da Team Downey e despesas operacionais nesse contrato periódico), e o casal já está formando planos para os futuros projetos da Team Downey (como uma adaptação live-action de Pinóquio, que Robert parece especialmente empolgado em fazer). Mas a inauguração de um filme de uma produtora nova pode ser tão decisiva quanto um logotipo. Em Hollywood, antes de mais nada, você só tem uma chance em deixar uma boa primeira impressão. E Robert já umas duas ou três.

Se O Juiz for bem, vai embalar o tom para os meses que virão, anunciando para a indústria que a Team Downey está em um destino certo para fazer sérios negócios. Provará que a compania é mais do que um projeto de vaidade de um marido superstar (nesse momento, o ator mais bem pago de Hollywood, ganhando U$ 75 milhões em 2014 por Homem de Ferro 3) e sua toda-poderosa, raramente entrevistada, produtora esposa (a mulher que o guiou durante a maior reviravolta de Hollywood de todos os tempos, que pôs ele no elenco de Sherlock Holmes como personagem principal antes mesmo que a primeira instalação de Homem de Ferro botasse botas a jato em sua carreira). Por outro lado, se o veredito de O Juiz não for tão favorável, se as primeiras rendas da Team Downey forem um fracasso, bem… até Gepeto pode ter algum problema tirando um reboot de Pinóquio do chão.

“Sim,” adiciona Susan, “nós brincamos com outros nomes, por exemplo RoSuDo. Mas todo mundo ficava tipo, ‘Que porcaria é isso?’ Se você tem que explicar que isso significa Robert Susan Downey, então é porque não vai funcionar.”

“Então eu tive a ideia de pôr Team Clown,” Robert continua. “Me apareceu essa imagem dessas pessoas com narizes vermelhos e cabelos estranhos em um caminhão grande fazendo sons estranhos e dando um rolê pela estrada…”

“Vimos um monte de nomes e logotipos, feitos por pessoas diferentes,” adiciona Susan, “mas daí vimos a placa de trânsito com a enfermeira e o paciente mental.” “E foi isso,” diz Robert. “Aquilo disse tudo.”