Dia: 24 de outubro de 2020

Durante o segundo episódio do programa “O próximo convidado dispensa apresentações com David Letterman”, Robert Downey Jr. falou sobre sua infância, vida escolar, seu período sombrio das drogas, casamento, filhos, filmografia e sobre seu futuro em Hollywood.

Na última quarta-feira (21/10) a terceira temporada do programa “O próximo convidado dispensa apresentações com David Letterman” foi ao ar através da plataforma Netflix.

Em uma conversa bastante animada, David Letterman explorou diversos aspectos da vida de Downey, incluindo sua relação com o pai e suas primeiras participações em filmes.

David Letterman conta que ouviu falar de Downey Sr. e que sentia que ele era um cineasta erudito e esotérico. Robert afirmou que aquela era uma descrição brilhante e que o pai era um tipo de cineasta contracultural.

Usando um tom divertido, Letterman questionou sobre o filme “Greaser ‘s Palace” e a participação de Downey no longa. “Precisamos de um menino aqui. E que tal Robert? Era assim?”

“100%! Era esse o caso.” Respondeu Downey. “Mesmo em filmes independentes, há leis de trabalho infantil.” Brincou. “Mas ele dizia: é meu filho. Ele faz o que eu mando. Ele vai dormir mais tarde.”

Deixando as brincadeiras de lado, Robert afirma que tudo era muito natural e também fazia parte da dinâmica familiar. O ator também contou que ele aprendia muito sobre a vida com o exemplo dos pais.

Letterman perguntou sobre o que Downey sonhava em ser quando criança. “Eu vou ser programador ou designer automotivo.”Questionou. “Ou eu vou ser um ator, é o que fazemos aqui em casa”?

Robert riu e contou sobre suas aventuras escolares, alegando que nunca havia terminado o ensino médio, e acabou fazendo supletivo.

“Tipo, eu pulava o muro do Colégio Santa Monica. Eu entrava na escola pelo muro porque perdia as primeiras aulas, ia à aula de datilografia da minha namorada Jenee e ficava vadiando. Às vezes ia ser assistente de professor de teatro e depois pulava o muro de novo.”

Letterman, ao avistar Susan Downey na plateia, perguntou para o ator sobre o início do relacionamento e a vida de casados.

“Susan e eu estávamos… bem, tem um filme chamado ‘Na Companhia do Medo’. É um filme de terror estrelado por Halle Berry. Na época em que fui escalado, eu estava no auge, digamos, do fundo do poço como ator, e… acho que eu estava ganhando 0,4 centavos por dólar, porque eu tinha que pagar meu próprio seguro e tal, e disseram: Susan, ele pode ser um problema. Fique de olho nele. E foi o que ela fez.”

Downey afirmou que já tem 15 anos de casamento e que os pais foram casados por exatos 15 anos. Nos anos 60 e 70, isso era considerado um bom tempo, mas que ele e Susan iriam passar essa marca.

“E acho que vamos ganhar deles!” Robert encarou a esposa. “O dobro. O triplo.”

Letterman perguntou dos filhos do casal, e em como eles são como pais. O ator conta que ele aparece como um motorista de limusine dos anos 80. “Venha às oito, como informado”. Brincou e explicou que os filhos possuem um interesse passageiro pelos filmes que ele trabalha.

“Exton, nosso menino, tem um Homem de Ferro. Um baratinho. Preciso dar um bom para ele. Uma cabecinha do Homem de Ferro ao lado da cama, e eu penso: será que ele não gosta mais do Gavião Arqueiro? Acho que sim. Ele só quer me mostrar que eu estou entre os dez super-heróis que ele gosta?”

Letterman também falou sobre a casa, o pequeno zoológico que Robert possui e a origem dos animais.

“Sou um Dr. Dolittle com dinheiro.” Ironizou. “O lugar era um antigo abrigo de cães e cavalos. Tipo, é um espaço negativo. Você vê um cercado e diz: Podemos colocar umas cabras lá. Alguns são animais são resgatados e outros nós compramos, mas são tratados como se tivessem ganhado na loteria.”

Voltando para a carreira, David perguntou sobre o primeiro filme não familiar que Downey atuou, e o ator contou que fez um pequeno papel no filme ‘Um romance maluco’ e propagou para todos os amigos.

“Vejam! Eu consegui. Sucesso total. Preparem-se. Vai ser tipo Konkey Dong. E, no filme, acho que há uma cena em que eu passo e outra em que estou à mesa, com uma garota na frente, então dá pra ver todos à mesa, menos eu. E meus amigos, com razão, criaram a frase um ator maluco.”

Letterman comentou que ao longo dos anos assistiu aos filmes com a participação de Downey e notou que ele sempre passa uma mensagem um pouco mais particular de que é um filme e tudo vai ficar bem. “Apenas deixe comigo”.

“Outros já disseram isso.” Robert respondeu. “Acho que Tom Hanks diz que devemos apresentar a experiência para as pessoas, o que eu acho… Uma maneira de dizer que se eu me pôr de lado para não me concentrar em mim mesmo e corromper minha energia, por estar pensando só na minha performance ou nas minhas neuroses, então posso convidá-lo para ter sua própria experiência.”

Letterman questionou sobre a pequena fama que Downey criou com relação a alterações no roteiro ao ponto de mudar o enredo da situação inteira. Robert sorriu e afirmou que só faz quando pode.

“Eu fui criado por roteiristas e presenciei situações do tipo: esta é a ideia da piada, e esta é a melhor jogada para a piada. E há certas ocasiões em que você diz: Não vou tocar neste bloco, vou aprender o máximo que puder, porque não é uma brincadeira.”

O ator ainda disse que não é crítico, não gosta de perder tempo e não exige mudar tudo.

“Em certas ocasiões, você só aceita e faz do jeito normal. Vou te dar um exemplo. Há uma eternidade, fui falar com Lorde Richard Attenborough, pouco antes de filmar ‘Chaplin’, e eu disse: Dickie, ouça, seu roteiro é uma piada. Eu tinha 25 anos na época e apenas disse: sem ofensas, mas o roteiro não tem liga. Você não sacou a mensagem. Não sabe que, antes de Chaplin filmar ‘O Garoto’, ele viu a esposa sofrer um aborto, e por isso ele escolheu Jackie Coogan? E ele: e daí? E eu disse: Isso é profundo, é muito bom, evocativo. É o que o público quer ver. Ele disse: não vamos filmar isso. E então eu fiz uma leitura da minha versão do filme dele, ‘Chaplin’, e acho que ele ouviu e disse: certo. Enfim, vejo você no set na segunda-feira.”

David Letterman contou que assistiu o filme ‘Abaixo de Zero’ e ficou chocado porque tem um filho de 16 anos, um pouco mais jovem que Julian Wells (personagem de Downey no filme), e que a travessia pela adolescência é bem assustador.

“Abaixo de Zero é uma história de alerta sobre o que as pessoas fazem para se encaixar. E esse diretor, Marek Kanievska, foi excepcional. Um cara excepcional.”

Letterman voltou para o passado e abordou sobre o período mais sombrio da vida de Robert e o envolvimento do ator com as drogas e vício. Apesar de estar afundado em problemas, Downey continuou atuando ativamente, mas aquilo não era divertido como parecia.

“Culturalmente falando, todo o ecossistema em que estávamos se resumia a: se dizem que é proibido pagamos para ver. Porque era uma época em que… que mistério, as coisas se repetem. A desconfiança das tramas do governo, a sociedade, os ricos e pobre. Não era a cultura em que fui criado.”

Robert afirma que se alguém tivesse lhe contado por tudo o que ele passaria na vida, ele teria surtado, principalmente nos períodos em que esteve preso.

“O Juíz Mira… eu sabia que estava brincando com um cara que não estava brincando sobre o fato de que uma condicional significa que se você se comportar, não vai preso, e quando essa sentença deixa de ser condicional, você tem que cumprir sua pena. E acho que foi um retardo de desenvolvimento por acreditar que eu não sofreria punição, sabe? Conheço muita gente agora que… sabe, o vício, o alcoolismo são tão recorrentes hoje como sempre foram. E você vê essas pessoas de certa idade começando a entrar na fase de negação, daí vêm as repercussões e os processos judiciais, depois isso e aquilo. Isso me faz refletir sobre o que isso significa e porque as pessoas mudam, e quanto disso é sorte e quanto é tentar desenvolver uma boa psicologia moral.”

Letterman questionou sobre o futuro do ator e se ele seria capaz de fazer um filme mais simples, e com um roteiro fechado por um milhão, ou quinhentos mil dólares.

“Isso é o que eu gasto com lavanderia.” Robert ironizou. “A verdade é que hoje em dia, mais do que nunca, dá pra fazer qualquer projeto por qualquer orçamento. Mas é melhor que seja ótimo. Porque, hoje em dia, o que me atrai é: nossa, que releitura ótima, ou: que diretora fantástica. Quero ver o próximo projeto dela.”

Após a saída da Marvel, a única atuação de Downey foi no filme “Dolittle”. Depois de mais de uma década dando vida a um personagem lendário, Letterman perguntou o que ele faria daqui para frente.

“Bem… sabe, eu me pergunto a mesma coisa. Estou em um descanso meio forçado, e meio que prestando atenção e tentando me atualizar com o que os outros estão fazendo, e tipo… digo, acho que posso fazer quase tudo o que eu quiser.” Explicou o ator.

Apesar de estar longe da atuação no momento, principalmente por conta da pandemia, Robert se manteve ativo através da série “The Age of A.I” e dos projetos da Footprint Coalition.

“Eu encerrei meu contrato com a Marvel, e eu lidava com inteligência artificial, pelo menos no meu trabalho, por mais de uma década, e então o YouTube nos perguntou se tínhamos interesse em fazer essa série, e fizemos, e eu achei ótimo, porque foi muito educativo para mim. A Footprint Coalition é algo diferente em que vou gastar muito tempo. Parte dela é uma fundação que concede subsídios para ONGs com causas ecológicas e a outra parte, em que vou passar mais tempo, é uma espécie de empresa de mídia, onde eu gostaria de entrevistar pessoas que fazem incursões para limpar o planeta e, sabe… cuidar do meio ambiente.”

Ao final da entrevista, Letterman conta que falou com Tim Thomerson e perguntou sobre como foi trabalhar com Downey.  Robert riu e disse que Tim Thomerson, o comediante insanamente nato.

“Perguntei para o Thomerson: como foi trabalhar com Robert Downey Jr.? Ouça o que ele disse: um cara legal, fácil de trabalhar, generoso e engraçado. Sem frescura de ator.”

“Já temos a frase da minha lápide, não é?” respondeu Robert.

O próximo convidado dispensa apresentações com David Letterman” está disponível na plataforma Netflix.

# Entrevistas, notícias, novidades
Robert Downey Jr, Chris Evans, Mark Ruffalo, Paul Rudd, Don Cheadle, Scarlett Johansson e Zoe Saldana participaram de um evento virtual na última terça-feira (20/10) a favor da campanha presidencial de Joe Biden.

Os Vingadores se reuniram mais uma vez. Mas de um jeito diferente ao qual estamos acostumados. Através de um evento virtual chamado “Voters, Assemble!”, o cast da Marvel arrecadou fundos para a campanha do candidato democrata à presidência dos Estados Unidos, Joe Biden.

Além de Robert Downey Jr. e outras estrelas da Marvel, os diretores Anthony e Joe Russo também estavam presentes.

Kamala Harris, candidata à vice-presidência, se juntou ao elenco na transmissão, onde os fãs poderiam doar qualquer quantia em dinheiro para o fundo de campanha de Joe Biden. Kamala também prestou homenagem a Chadwick Boseman e fez analogias entre os temas dos filmes “Vingadores” e a campanha para derrotar o presidente Trump.

“Todos nós conhecemos questões de honra e decência”, afirmou Harris. “E é importante se você está salvando o universo de Thanos ou lutando pela alma da nossa nação. Se os Vingadores podem se reunir de toda a galáxia, então o povo americano pode se reunir de onde estivermos, em quem quer que tenhamos votado na última eleição, e qualquer língua que nossa avó falava, e nos unamos para colocar nosso país no caminho certo”.

Doug Emhoff, marido de Harris, também fez uma participação e chamou Donald Trump de um vilão adequado para o Universo Cinematográfico da Marvel, exceto que ele tweeta mais.

O engajamento Downey na política não acaba por aí.

Neste sábado (24/10) às 16h pelo horário de Brasília, Robert Downey Jr. e Mark Ruffalo estarão ao vivo através do link https://live.votewith.us/ para uma conversa política inspiradora e a importância do voto consciente.

Você pode acompanhar a cobertura do evento através das nossas redes sociais.

# notícias, novidades, Os Vingadores